VOLUNTÁRIO COMPARTILHA MOVIMENTO PUNK COM O MOTTER HOME


paulo

por Fernanda Trotta / Foto: Marco Júnior

Paulo Henrique Gomes chegou no Motter Home há quatro meses. Com um visual excêntrico, conquista os hóspedes com seu idealismo e sua poesia. Adepto do movimento punk, ele mescla seu serviço como voluntário do hostel e seus projetos sociais. Na música, Paulo atua como baterista, já viajou para o Chile, Paraguai, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Florianópolis, Belém do Pará, entre outras cidades. Original de São Paulo, se formou em psicologia e trabalhou na área antes de começar a mochilar. Além de ser músico, já ter tocado em 32 bandas diferentes e em breve conseguir publicar seu livro de poesias, o segundo sonho de Paulo é conseguir ajudar o maior número de pessoas dentro da arte e da música.

  1. O que significa ser punk?

O punk é tanto conhecido por ser um movimento musical, mas cm muitas vertentes que provém do anarquismo e que tem um papel social. A música é uma forma de protesto. O papel social do punk é aproximar outras pessoas que não conhecem o anarquismo para fazer parte dessa realidade. A gente gostaria de atingir a igualdade, lutamos contra a desigualdade social. Esse é o maior motivo. Também somos autogestionáveis, essa é a essência do ser humano, termos a condição de nos gerir. É o faça você mesmo. Queremos disseminar para as pessoas que é possível alcançar a autonomia, ocupar os espaços vazios, fazer recicle, que é reciclar tudo o que pode ser reutilizado. É mostrar que nada é descartável. Por isso, fazemos nossas próprias roupas, para também não dependermos de meios capitais alguns.

 

  1. Como foi essa trajetória na sua vida?

Fui adotado pelos punks com 14 anos, após ir morar na rua. Eles me estenderam a mão, foram meus pais. Eu já curtia o som e eles me deram um motivo para lutar. Hoje estou com 27 anos. Já são 13 anos disseminando essa cultura.

 

  1. Quais são as regras da comunidade, como se ajudam?

A regra é faça você mesmo. Vai desde a roupa que você veste à comida que você come, mas tudo tem uma consequência, não é porque você é livre que pode desrespeitar o outro. Dentro do movimento punk não aceitamos machismo, homofobia e nenhum tipo de preconceito. Respeito atrai respeito. Devemos ter esse olhar de bom senso sempre.

 

  1. Como é o cenário em Curitiba comparando com outros lugares que já visitou?

Morei muito tempo em ocupação em São Paulo, a maior parte dos movimentos que participei não vi uma função social. Até abrigam pessoas de rua, mas não como em Curitiba, porque aqui somos uma família. Desde o dinheiro que a gente ganha até a comida que colocamos na boca, tudo é compartilhado. E isso só vi aqui em Curitiba. Conheci muitas pessoas individualistas, aqui as pessoas compartilham mais, inclusive sentimentos. Também conheci o movimento em Minas, Florianópolis, Rio de Janeiro, Paraguai e Rio Grande do Sul, onde eles trabalham com permacultura. Em Santa Maria, o cooperativismo é tão grande que tudo o que é plantado nas comunidades é distribuídos entre escolas, pessoas em situação de rua, assim ninguém passa fome.

 

  1. Por que ser worldpacker?

Eu acho que quando a gente se propõe a mochilar, temos que conhecer várias facetas do que é realidade. Podemos morar na rua, numa barraca, prestar voluntariado, tudo são escolhas. Como qualquer ser humano, sinto necessidade de um conforto, às vezes tomar um banho, coisa que em ocupação nem sempre é possível, as vezes falta água, luz. Para se lançar em outras coisas a gente tem que se preparar antes. E vai chegar um dia em que não vou precisar nem de um trabalho, nem de um hostel, vou conseguir ser livre, me autogestionar, plantar minha própria comida. É importante fazer essa troca porque colocamos em prova habilidades que temos, vemos o que somos capazes de fazer. Não adianta ter uma vida livre e não crescermos como pessoa.

 

  1. Por que escolheu o Motter Home como hostel?

Na verdade, o Motter Home me escolheu. Estou aprendendo a desenvolver mais o que eu sabia antes, de aperfeiçoar o que já sei e de ter força de vontade para fazer outras. Sou muito bom em construir e arrumar coisas e estou tendo a oportunidade de fazer isso, de colaborar com a casa. Morar aqui me traz paz e um dos ambientes que mais gosto é a sala de jogos, principalmente o sofá com o violão ao lado, porque são muito úteis quando estou precisando descansar a mente.

 

 

 

 

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